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05 de Julho de 2022

SAÚDE Segunda-feira, 23 de Maio de 2022, 12:34 - A | A

Medicamentos em falta

O que fazer se seu remédio "sumir" das prateleiras

Felipe Terrezo é dono de duas farmácias no Rio de Janeiro, mas, quando sua neta ficou doente na última semana, ele não tinha novalgina em solução em suas lojas para dar à menina para baixar a febre.

BBC NEWS

Reprodução

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"Não encontro no mercado há cerca de dez dias, e não estou conseguindo comprar. Por sorte, eu tinha um frasco aberto em casa que resolveu o problema dessa vez", diz Terrezo, que é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Rio.

O empresário diz que notou recentemente que está excepcionalmente difícil encontrar alguns antibióticos para abastecer suas farmácias.

"Quando os clientes chegam e o remédio está em falta, a gente busca ajudar e substituir por um de outra marca ou um genérico, mas e o que não tem substituição?

"Situações assim têm sido frequentemente noticiadas em diferentes partes do país. No Paraná, por exemplo, havia 500 medicamentos em falta no início de maio, segundo o sindicato de varejistas farmacêuticos.

O desabastecimento na farmácias também preocupa em ao menos outros 17 Estados e no Distrito Federal.

"Embora não haja dados que nos permitam afirmar de forma categórica que há um desabastecimento excepcional, temos ouvido, sim, muitos relatos de falta de medicamentos específicos, especialmente os muito baratos, que a indústria não tem interesse em produzir, como é o caso de alguns antibióticos", diz o advogado Matheus Falcão, pesquisador do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Falcão explica que a razão do problema normalmente não está nas lojas, mas nos fabricantes.

"O Brasil tem um problema estrutural de capacidade de produção e depende das importações do medicamento em si ou dos insumos farmacêuticos ativos [o principal ingrediente de um medicamento], e, em 2022, os lockdowns na China por causa da covid e a guerra na Ucrânia afetaram o fornecimento", diz o pesquisador do Idec.

Sérgio Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), diz que, além da maior dificuldade para a chegada de insumos ao país, o setor farmacêutico enfrentou uma espécie de "efeito dominó".

"Outros produtos que estavam faltando exigiram mais dedicação da indústria, acarretando a redução na fabricação de outros produtos", diz.

O aumento de casos de gripe ao mesmo tempo em que as infecções pelo coronavírus voltaram a crescer no Brasil também são apontados como motivos para o desabastecimento.

Houve uma maior demanda por determinados antibióticos no início deste ano, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), que afirma serem problemas pontuais e que as fabricantes estão ajustando sua produção para atender o mercado.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explicou à BBC News Brasil que, apesar de ser a responsável por regular e monitorar esse mercado, não cuida das relações comerciais do setor, como as aquisições e distribuição de medicamentos, e diz que não tem meios legais para obrigar as fabricantes a garantir a oferta de medicamentos no país.

Mas as empresas têm algumas obrigações a cumprir em caso de desabastecimento, e o consumidor pode tomar algumas medidas caso se depare com algum medicamento em falta na farmácia.

 


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